Jaaaaaaaland: Brasil fora do Mundial :: Olé

Vocês se lembram do Brasil que gostava de ter a bola? Aquele que fazia culto ao seu bom toque? O das sociedades fantasistas? O do futebol total como religião? A modernidade passou por cima de tudo isso, e esta Seleção joga, vence e perde com outra fórmula. Ou alguém imaginava que a Noruega poderia superá-lo na hora de ver os percentuais de posse de bola? Ou alguém imaginava os noruegueses tocando de um lado para o outro, buscando mais, mesmo com o 2 a 0 assegurado? Ou alguém acreditava que Haaland era apenas potência? Um tapa na história em New Jersey. Um 2 a 1 que mandou a Canarinha ao Rio de Janeiro sem escalas e cedo demais.

Neymar lamenta a eliminação do Brasil após a derrota para a Noruega nas oitavas do Mundial 2026. Foto: REUTERS/Mike SegarNeymar lamenta a eliminação do Brasil após a derrota para a Noruega nas oitavas do Mundial 2026. Foto: REUTERS/Mike Segar

O Brasil que deixou de ter a bola

Ancelotti apostou, e isso é indiscutível, em uma verticalidade que tem um plus chamado Vinicius. Espera e acelera a mil por hora.

Os noruegueses assumiram um papel talvez inesperado em outros tempos. Odegaard e Berg aceitaram o convite e se tornaram donos da bola. Nusa e Sorloth, pelas pontas, eram os que quebravam linhas, enquanto Haaland era apenas uma ameaça — ficou meia hora sem tocar nela.

Nyland cresce no pênalti e vira personagem

Tão abertos estavam os noruegueses que, diante do primeiro erro, o Brasil feriu. Cunha acelerou e Wolfe o atropelou. Menos o árbitro, os 70 mil no MetLife viram o pênalti que finalmente foi marcado pelo VAR. E ali nasceria uma das figuras da partida: o goleiro Nyland. Será preciso revisar a estatística, mas jogador que para e dá aquela paradinha antes de bater, se não se chama Neymar, parece errar com mais frequência. Guimarães confirmou.

Isso deu ainda mais impulso aos noruegueses. Em vez de remar, colocaram motor no meio-campo, e Alisson começou a sofrer. Os mesmos desajustes defensivos que já havia sofrido contra o Marrocos se repetiram. Haaland espalhou Santos e Marquinhos em um lançamento, e Odegaard teve o gol na canhota, mas era um dia de goleiros brilhantes.

Marquinhos lamenta a eliminação do Brasil enquanto a Noruega festeja a vitória nas oitavas. Foto: AP/Frank Franklin IIMarquinhos lamenta a eliminação do Brasil enquanto a Noruega festeja a vitória nas oitavas. Foto: AP/Frank Franklin II

Mudanças aqui, mudanças ali, e as duas equipes tiraram o pé no início do segundo tempo. O calor também jogava sua partida, e os erros não forçados tinham que aparecer.

Haaland decide e a Noruega derruba a Canarinha

Vini inventava um mano a mano para Endrick, e Nyland brilhava. Rayan também tentava, mas não havia jeito. Schjelderup teve a sua chance, e Alisson disse: estou aqui. A entrada de Neymar era uma promessa de mais pausa e criação. Promessa.

Haaland comemora a classificação histórica da Noruega após eliminar o Brasil do Mundial 2026. Foto: REUTERS/Dylan MartinezHaaland comemora a classificação histórica da Noruega após eliminar o Brasil do Mundial 2026. Foto: REUTERS/Dylan Martinez

Irreverentes da cabeça aos pés, os noruegueses não se importaram nem um pouco com a camisa do pentacampeão. Seguiram iguais, buscando especialmente pelo setor do fraco Danilo, até que chegou o cruzamento para essa locomotiva que passou por cima de Carletto, Zico, Ronaldo, Dunga, Ronaldinho e Pelé juntos.

O golpe foi letal. A reação só poderia vir dos pés de Vini, que tentou aquilo que já não conseguia mais alcançar. Porque a sorte não lhes daria um aceno, e Nyland defenderia até as bolas chutadas pelos próprios companheiros. O prêmio para a Noruega foi seguir tentando, não se refugiar, tocar e tocar. Como manda a história de… Brasil. Em meio a tanta posse de bola, esse animal de pura potência mostrou que também sabe quando e como fazer algo que não seja cabecear e, com um chute baixo de esquerda a mil por hora, acertou o soco de nocaute que faltava. O pênalti serviu para a estatística de Neymar, mas a vitória foi muito justa, histórica e exemplar: o preço por abandonar seu DNA custou aos brasileiros a Copa do Mundo.

Fuente: www.ole.com.ar

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